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Início » Tribunal do crime: PC prende liderança de facção em SP durante operação contra crime organizado no Tocantins
Polícia em Ação

Tribunal do crime: PC prende liderança de facção em SP durante operação contra crime organizado no Tocantins

Ação cumpriu mandados em Paraíso do Tocantins e Cotia (SP) e investiga ataques violentos, tráfico de drogas, cobranças ilegais e um sistema de punições conhecido como “tribunal do crime”.
Redação Tocantins em vozPor Redação Tocantins em voz29 de outubro de 20264 Leitura Mínima
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A Polícia Civil do Tocantins (PCTO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 29, a Operação Stuart, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de comandar uma série de crimes em Paraíso do Tocantins, na região central do estado. Durante a ação, a principal liderança investigada foi presa em Cotia, no estado de São Paulo, e também autuada em flagrante por tráfico de drogas.

A operação foi coordenada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins, e mobilizou equipes policiais nos dois estados. Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão.

Em Paraíso do Tocantins, foram cumpridos quatro mandados de prisão e nove de busca e apreensão. Já em Cotia (SP), a ação contou com um mandado de prisão e três de busca.

Investigação identificou estrutura criminosa

As investigações tiveram início em 2025, após a Polícia Civil identificar que integrantes da organização criminosa, mesmo custodiados em unidades prisionais, mantinham comunicação clandestina com comparsas em liberdade para coordenar atividades ilícitas no município tocantinense.

O trabalho investigativo apontou uma estrutura organizada, com divisão de funções entre pessoas presas e integrantes em liberdade. O grupo seria responsável por manter o tráfico de drogas, movimentar recursos provenientes das atividades criminosas, cobrar dívidas ilegalmente e aplicar punições contra membros que descumprissem as regras da facção.

Segundo a apuração, ordens eram repassadas a companheiras e familiares dos integrantes presos, que também seriam envolvidos nas atividades da organização. A comunicação clandestina permitia, conforme a investigação, a continuidade das operações criminosas mesmo com parte das lideranças encarcerada.

Liderança atuava a partir de São Paulo

A Polícia Civil também investigou a participação de um homem de 35 anos, apontado como integrante da cúpula da facção criminosa e residente em Cotia, na Grande São Paulo. Conforme os levantamentos policiais, ele exerceria influência sobre integrantes presos em Paraíso do Tocantins e em unidades prisionais paulistas.

O suspeito seria responsável por receber solicitações, autorizar ações e transmitir determinações relacionadas ao funcionamento da organização criminosa. A prisão dele em Cotia representa um dos principais resultados da operação.

Além do cumprimento do mandado de prisão preventiva, o investigado foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. A participação dele na estrutura criminosa segue sendo apurada.

Investigação aponta existência de “tribunal do crime”

Outro ponto identificado durante as investigações foi a existência de um sistema interno de punições, conhecido como “tribunal do crime”. O mecanismo seria utilizado para julgar comportamentos considerados inadequados pela facção e determinar sanções contra integrantes e outras pessoas que desobedecessem às ordens do grupo.

De acordo com os elementos reunidos pela Polícia Civil, as punições poderiam envolver ameaças, agressões físicas, chamadas pelos próprios integrantes de “madeirada”, e até determinações de morte.

A investigação aponta que a liderança localizada em São Paulo teria atuação nesse sistema, recebendo pedidos de integrantes presos e deliberando sobre as punições a serem aplicadas.

Operação mobilizou forças de segurança dos dois estados

A Operação Stuart integra a Operação Protetor de Divisas, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e contou com a participação de diversas unidades da Polícia Civil e da Polícia Penal do Tocantins, além de equipes da Polícia Civil de São Paulo e do Escritório Nacional Antifacção de São Paulo.

Para o delegado responsável pelo caso, a operação representa um avanço no enfrentamento ao crime organizado, ao permitir a identificação de diferentes níveis da estrutura criminosa, desde os responsáveis pela execução das atividades ilícitas até uma liderança que atuaria fora do Tocantins.

A investigação também busca aprofundar o conhecimento sobre a comunicação clandestina entre integrantes presos e pessoas em liberdade, além de esclarecer a participação de cada suspeito nos crimes apurados.

Origem do nome da operação

O nome Stuart faz referência a uma expressão utilizada por detentos para identificar aparelhos celulares de tamanho reduzido, empregados na comunicação clandestina entre integrantes da facção. A denominação faz alusão ao personagem do filme “O Pequeno Stuart Little”, conhecido por suas pequenas dimensões.

A operação busca enfraquecer a estrutura de comunicação e comando da organização criminosa, que, segundo as investigações, continuava a coordenar atividades ilícitas mesmo com integrantes custodiados em unidades prisionais.

Paraíso do Tocantins Policia Civil
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